terça-feira, 20 de maio de 2014

Paradoxo de Monty Hall



Um paradoxo pode ser definido como "uma afirmação verdadeira que leva a uma contradição lógica", porém, a definição que nos cabe aqui, para este problema em particular, é "o oposto do que alguém pensa ser a verdade".

Em outras palavras, quando nos deparamos com um dilema e a intuição (ou senso comum) nos aponta uma escolha que nos parece extremamente lógica mas essa escolha é a errada, estamos lidando com um paradoxo.

O paradoxo de Monty Hall é um problema da Teoria das Probabilidades, bastante conhecido por estudantes de Matemática e Estatística, que surgiu a partir de um concurso televisivo dos Estados Unidos chamado Let’s Make a Deal, exibido na década de 1970. Lembra um pouco a "Porta dos Desesperados", não?

O jogo consiste no seguinte: Monty Hall (o apresentador) apresentava 3 portas aos concorrentes, sabendo que atrás de uma delas está um carro (prêmio bom) e que as outras têm prêmios de pouco valor.

  1. Na 1ª etapa o concorrente escolhe uma porta (que ainda não é aberta);
  2. Em seguida, Monty abre uma das outras duas portas que o concorrente não escolheu, sabendo a priori que o carro não se encontra nesta porta;

Agora, o participante possui apenas duas portas para escolher, pois uma delas já foi aberta e não tinha o carro. Obviamente, então, o carro está atrás de uma das duas portas que restaram.

O apresentador, então, dá a seguinte escolha ao participante: manter a porta já escolhida ou mudar de porta? Tic tac tic tac...

Qual é a estratégia mais lógica? Ficar com a porta escolhida inicialmente ou mudar de porta? Com qual das duas portas ainda fechadas o concorrente tem mais probabilidades de ganhar? Por quê?

Vejamos, ao escolher uma das três portas, temos 1/3 de chance de acertar. Quando uma das portas é eliminada, sobram apenas duas. Portanto, tanto faz mudar ou manter a porta escolhida, pois a nossa chance será sempre de 1/2, correto?

NÃO!

Esta é a resposta intuitiva e parece fazer bastante, bastante sentido. Porém, como você já deve ter suspeitado, não é a resposta correta.

A chave está em lembrar que o apresentador sempre mostrará uma das portas que não tem o prêmio! Vejamos esta solução ilustrada:

Créditos da imagem: brainstormdeti

Como é possível perceber, desde o começo, na verdade, há três escolhas possíveis. Numa delas teríamos escolhido o carro e a troca ocasionaria a perda do prêmio. Porém, nas outras duas o apresentador seria obrigado a mostrar a o prêmio de baixo valor restante, uma vez que teríamos escolhido um deles. Isso garante que ganhemos o carro em 2 a cada 3 vezes em que mudamos de porta, ou seja, com 2/3 de probabilidade.

Como uma probabilidade de 2/3 ainda é maior que uma probabilidade de 1/2, a escolha correta é sempre mudar, para perder menos vezes.

E assim a Teoria das Probabilidades salvou o dia mais uma vez!

Até a próxima!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Cada 1% de aumento na taxa de juros custa R$20 bilhões aos brasileiros


Gostaria, meus caros, de recomendar fortemente a leitura do texto abaixo, publicado na revista "Carta Maior" online:

Somos educados para o analfabetismo econômico.

É claro, é claro, tem um viés governista, porém, filtrando isso, os argumentos colocados pelo autor do texto para sustentar sua afirmação são brilhantes, na minha opinião.

Realmente, os meios de comunicação espalham aos quatro ventos que o rebaixamento da nota do Brasil pela Standard & Poors é algo extremamente maléfico para a nossa economia, quando isso pode não ser verdade para todo mundo.

Até por minha formação, não sou favorável a se desprezar totalmente uma avaliação de risco de investimento feita por uma agência que seja idônea, só é necessário observar a quais interesses essa agência atende.

No caso da Standard & Poors, esses interesses estão claríssimos: indicam aos grandes investidores "financistas" onde investir seu dinheiro e obter o maior retorno com menores risco e esforço. Ou seja, indicam aos realmente ricos e poderosos onde é possível ganhar dinheiro com pura especulação, sem necessariamente gerar produção, emprego e renda.

Quanto maior a nota de um país nessa agência (e outras), isso significa que este país se preocupa mais em atender aos interesses desse tipo de investidor em detrimento de outros interesses.

É uma questão de prioridades.

Você prefere pagar um Mineirão por dia de juros da dívida ou que estes valores sejam destinados a coisas que beneficiem a todos?